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FB permite aos jornalistas distribuir conteúdo. De borla!

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O Facebook continua na sua estratégia de tornar a rede social no único local onde o mundo está ligado. Depois de conseguir criar a "necessidade" avançou para a disponibilização de conteúdos com os artigos instântaneos e agora está a oferecer a jornalistas credíveis a possibilidade de fazerem emissões em direto. Conteúdo exclusivo, feito por profissionais, a custo zero?

 

Os responsáveis da rede social apresentaram isto como se de um benefício se tratasse já que, até agora, a ferramenta que permite fazer estas transmissões, estava apenas acessível a uma comunidade de notáveis figuras públicas. Mas, tal como a dúvida sobre os órgãos de comunicação social em disponibilizar de forma quase gratuita os conteúdos no Facebook, resta saber se os jornalistas se vão deixar ir no canto da sereia.

 

Com alguma inteligência, podem e devem usar se o Mentions lhes trouxer mais benefício do que apenas gostos e partilhas, ou se esses gostos lhe pagarem as contas no final do mês.

 

"Queremos tornar o Facebook numa melhor experiência para jornalistas, quer seja para recolher notícias para se ligarem melhor com os seus leitores ou distribuição de conteúdo", afirmou à revista Wired Vadim Lavrusik, gestor do produto Mentions do Facebook.

 

A aplicação foi lançada em 2014 mas só agora passou a integrar a possibilidade de transmissões em direto. Em parte devido à investida do Twitter que, no mês passado, anunciou a aquisição do Periscope (uma ferramenta que também permite fazer transmissões em direto).

Utilizadores do Facebook estão a começar a sentir algum incómodo com a quantidade de notícias falsas que circula na rede social.

A aposta destas plataformas, em trazer para dentro de si conteúdo credível, produzido por jornalistas profissionais, é grande pois sabem que precisam deste conteúdo para manter os utilizadores. Até agora, o que se tem visto, na maior parte das vezes, é conteúdo sem credibilidade, muitas vezes falso, o que está a provocar algum descontentamento junto dos utilizadores.

 

Uma das mais recentes evidências deste facto é a propaganda sobre os refugiados Sírios. "notícias" (a letra minúscula é propositada) virais, partilhadas por milhões de pessoas, que confundem, criam ruído e que, mesmo depois de serem desmentidas, já contribuiram para a desinformação das pessoas.

 

Um jornal, um jornalista, sempre foram uma arma poderosa e é por essa razão que são receadas e censuradas em regimes ditatoriais. Hoje em dia, pelas dificuldades económicas, pela estratégia levada a cabo por alguns grupos com poder, interessados em manter os jornais e jornalistas sob controlo, mesmo em regimes democráticos, esta arma está enferrujada.

 

Mas, enquanto os jornais e jornalistas tiverem esta dependência, é um problema sem fim à vista. Estou certo que a mudança está nas mãos de quem lê, de quem partilha, de quem quer ler de borla. Está nas mãos de quem lê a notícia copiada num qualquer site sem se preocupar com a fonte original da notícia. Sem pensar que quem produziu o conteúdo que está a ler teve de investir o seu tempo, dinheiro e conhecimento. Que vive disto!

 

Tudo isto, independentemente do negócio da publicidade associada. Tão criticada pelos leitores que se chateiam por estarem ler um artigo com publicidade à volta.

 

O Facebook, tal como as restantes redes sociais, precisam de integrar conteúdo relevante, credível, para sobreviver. Para isso usam estas estratégias de forma a cativar os jornais e jornalistas com a promessa de visibilidade. Mas o que os produtores de notícias precisam é de tráfego. Precisam que as notícias sejam lidas nas suas plataformas, para gerar receita publicitária. Precisam que os leitores dêm valor ao seu trabalho.

 

Nesta discussão, muitas vezes, surge a teoria que os jornais têm de fazer aquilo que os leitores querem ler. Será esta a solução? Será que todos os jornais devem fazer apenas isso? Passamos todos a fazer vídeos com gatinhos (não resisti em usar este cliché), notícias de acidentes, mortes, facadas. Deixando de lado a investigação (praticamente morta em Portugal), a divulgação de factos relevantes. Continuamos a ter a notícia da entrega da Pizza a José Sócrates, do espirro do deputado, e deixamos de lado a discussão sobre os temas que afetam os portugueses, em geral.

 

Aliás, estou ansioso por saber qual a marca de vinho se regou o jantar de José Sócrates na noite do debate.

 

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