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Apple é doutorada na obsolescência programada

Lâmpada mais antiga do mundo

O termo é antigo, as empresas usam este sistema há décadas, mas poucas pessoas se apercebem ou sequer ouviram falar dele. A obsolescência programada não é mais do que a decisão de uma empresa, de forma propositada, desenvolver, fabricar e distribuir um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto.

 

Mesmo não nos apercebendo disso, lá vamos questionando porque razão temos, por exemplo, de trocar de telemóvel (porque ficou mais lento, dá erros, as fotos têm pior qualidade do que as versões mais recentes). Também somos condicionados pela sociedade de consumo. Afinal, num país "desenvolvido" ter as versões mais recentes é algo quase inato. Seja um telefone ou uma televisão.

 

No caso das impressoras, por exemplo, já nem é preciso falar do exagero dos tinteiros que dificilmente cumprem o número de impressões publicitadas. Basta dizer que quase todas, a determinada altura, vão bloquear, deixar de imprimir, e o custo do arranjo será sempre superior ao de aquisição de um modelo mais recente.

 

A primeira grande vítima da obsolescência programada foram as lâmpadas. E neste documentário pode saber mais sobre este fenómeno que foi pensado por aquele que é considerado o primeiro grande cartel a nível mundial. Para exemplificar este fenómeno, dão o exemplo da lâmpada do quartel de bombeiros de Livermore, Califórnia, que está acesa há mais de 100 anos. Uma lâmpada com direito a uma comissão própria e transmissão em direto via webcam.

A Apple não é a única empresa a recorrer a este sistema. A sociedade de consumo obriga a que, cada vez mais, as empresas usem este esquema para desencadear novas compras. 

Mas, desde a cartelização da indústria das lâmpadas, a sociedade de consumo tem usado e abusado desta estratégia para obrigar ao consumo antecipado. E quem se dá ao trabalho de contabilizar as horas que tem uma lâmpada acesa para perceber se o produto cumpre a oferta do fabricante?

 

Uma forma de fazer "mexer" a economia, dirão alguns, um desastre para o ambiente, defendem outros. Principalmente aqueles que em países de terceiro mundo, como o Gana, sofrem as consequências do desperdício ambiental.

 

A Apple, que acaba de lançar o novo iphone 7, e o sistema operativo 10, tem sido mestre na aplicação desta estratégia. A cada nova atualização do sistema operativo, os telemóveis perdem qualidade, geram avarias, mesmo quando a utilização é feita de forma cuidada. O consumidor nada pode fazer para evitar trocar para a versão mais recente. A não ser desistir da marca. Desta vez, há quem tenha ficado com o telefone sem funcionar após a atualização para o IOS 10.

 

Eu sou daqueles que comprou o primeiro iphone, ainda nos EUA, e tive de usar o Jailbreak para poder funcionar em Portugal. Como tal, nunca fiz update do sistema operativo. Resultado, o telefone ainda funciona, da mesma forma como funcionava no primeiro dia em que abri a caixa. A bem da verdade, o WI-Fi deixou de funcionar, e foi essa uma das razões que me levou a adquirir a versão 4, que ainda possuo.

 

O botão home já avariou, típico nesta versão do iphone 4, e atualmente (devido a uma queda) o botão de ligar está encravado. Há uns meses, e assim vai ficar. Onde pretendo chegar com isto, é à perda de qualidade no funcionamento do aparelho a cada atualização do sistema operativo.

 

As limitações de software 

Como também sou fotógrafo, uma das coisas que me fascinou nos smartphones foi a capacidade das suas câmeras, das fotografias captadas. Mas, acreditem, notam-se bem as diferenças, a perda de qualidade, de uma foto tirada no primeiro dia em que abri o iphone 4, comparada com uma tirada, nas mesmas condições, hoje. Tudo isto foi sucedendo à medida que surgiam novas atualizações do sistema operativo. Mais latência, mais ruído em condições de pouca luz, pior qualidade da foto, em geral.

 

No entanto, sempre resisti à tentação de adquirir o iphone 5 ou 6. Tive a primeira versão de todas e o 4 e aguardava pelo 7 para fazer a troca. No entanto, além de ter pouca novidade, perdi um pouco a vontade de o comprar. Além do preço elevado, o sistema operativo parece vir incluído com uma ainda maior tendência para a obsolescência programada. Que o digam os utilizadores que fizeram update para o IOS 10 e que ficaram com os iphones "mortos".

 

A Apple não é a única empresa a recorrer a este sistema. A sociedade de consumo obriga a que, cada vez mais, as empresas usem este esquema para desencadear novas compras. E isto acontece num telefone, numa lâmpada ou num carro.

 

Juntando isto à "necessidade" que temos de comprar coisas novas, é fácil perceber que o consumo desenfreado vai continuar, até à exaustão do planeta. Além disso, quando pensamos no tema, se um produto for muito duradouro, perde a empresa, mas perdem também os operários que ficam sem emprego. 

 

O exemplo da licra 

Para as mulheres, por exemplo, as meias de licra, além de sexys, são uma dor de cabeça por causa da fragilidade. Mas nem sempre foi assim. Tal como mostra o documentário referido acima, as primeiras meias eram tão duradouras que até serviam para rebocar carros. Hoje, duram uma festa e é uma sorte chegarem ao cocktail sem um buraquito.

 

As impressoras contemplam um chip que conta o número de páginas impressas a partir do qual bloqueia (sendo os valores de arranjo mais caros do que a aquisição de uma nova); as baterias dos smartphones têm durações planeadas, muito curtas (sendo que no caso da Apple nem sequer tem um acesso simples para a sua troca); os computadores começam a dar problemas passado poucos anos.

 

E são conhecidas as declarações recentes, em março desta ano, de Phil Schiller, vice presidente de marketing da Apple que fez piada com o facto de ainda existirem cerca de 600 milhões de pessoas com computadores com mais de cinco anos. "Isto é muito triste", referiu. Recordar neste vídeo no minuto 46:16.

 

As declarações não caíram bem junto da comunidade. Especialistas e detentores de computadores com mais de cinco anos, que funcionam, ficaram espantados com a tentativa de Schiller em rebaixar os pobres coitados que têm um PC com cinco anos.

 

Para provar que existem processos como este, de obsolescência programada, há que recorrer aos tribunais. Tem havido algumas tentativas, outras estão em curso, mas será sempre difícil provar. A decisão está do lado do consumidor.

 

Há quem defenda que os processos industriais podem ser mais sustentáveis, mantendo empregos e a economia a funcionar. Voltando às lâmpadas, onde tudo começou, o descendente da Philips aposta num tipo de lâmpada LED que dura 25 anos.

 

Certamente haverá forma de conjugar a necessidade das empresas, da indústria, com a sustentabilidade do planeta porque, a este ritmo, a Terra irá ativar a sua própria obsolescência de forma a fazer reset ao excesso de desperdício.

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