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Como vão os media portugueses ganhar dinheiro?

 

O conteúdo está na moda. Não nasceu agora, as pessoas sempre consumiram, mas agora vive-se um momento especial. Os media, imagine-se, querem ganhar dinheiro. Precisam de ganhar dinheiro. A pergunta que se impõe é: como?

 

A resposta ainda está a ser definida a nível mundial e é graças a esta globalidade, potenciada pela evolução e forte crescimento da Internet, que em Portugal os media vivem tempos complicados.

 

O tempo dos ardinas já lá vai e, atualmente, nem sempre é o produtor original do conteúdo a ganhar com o seu trabalho. O plágio abunda e o consumidor pouco se importa onde lê, vê ou ouve o conteúdo. Ganha quem tiver nas mãos a melhor forma de fazer chegar o conteúdo aos consumidores. De forma legal, ou não!

Isto é verdade para os filmes pirata, uma série de televisão sacada, ou um artigo de jornal. Isto terá um fim à vista.

 

É preciso não esquecer que à medida que os produtores originais perdem capacidade de pagar a produção, porque não têm retorno, o conteúdo deixará de existir. Os “cábulas” deixarão de ter onde ir copiar e os consumidores ficarão sem acesso a conteúdo de qualidade. Parece óbvio.

 

Mesmo os grandes players de televisão terão de se adaptar aos novos formatos de negócio como é o caso do Netflix que têm vindo a revolucionar o mundo da televisão. Os consumidores sabem bem o que querem e sabem que não vêem 140 canais. Não há tempo. Mesmo com as possibilidades de gravação, de andar para trás nas emissões, o serão é curto e é dedicado a ver as séries ou filmes de eleição.

 

Se for feita uma pesquisa, (acredito que as grandes redes de distribuição já o fizeram), será seguro dizer que mais de 90 por cento dos clientes das redes de cabo em Portugal desconhece a totalidade dos canais que tem no seu serviço ou, pelo menos, nunca por lá passou. Sabe de cor os canais de preferência e é para lá que vai quando liga a TV. Ninguém faz zapping de 80 canais (para chegar às séries), quanto mais de 140.

 

É por esta razão que, além da Netflix, e de outros serviços idênticos, há grandes empresas mundiais a apostar em conteúdo original para “oferecer” aos seus clientes.

 

A Amazon, por exemplo, insuspeita neste mundo dos conteúdos, está a apostar forte na produção, ao contrário do Netflix que não tem produção própria, apenas adquire direitos. 

 A solução poderá estar do lado dos consumidores. Preferem pagar mais e comprar um produto de confiança ou pagar preço de saldo, ou nada, e consumir algo que não sabem bem qual o impacto na saúde?

O Facebook teve das melhores estratégias já vistas até hoje. Conseguiu que as maiores marcas publicitassem a plataforma gratuitamente, contribuindo fortemente para o crescimento que a rede social teve em poucos anos. Aproveitando o conteúdo produzido por terceiros, tem agora capacidade financeira, e argumentos de audiência, para fazer uma investida mais forte nos conteúdos. Mas apostam em parcerias com grandes marcas de media, produtores de conteúdo, para criar habituação no seu público alvo. O que irá suceder no futuro?

 

A imprensa

Apesar de ser para o vídeo que, atualmente, os olhares estão voltados, principalmente no que respeita ao entretenimento, este problema dos conteúdos atinge mais fortemente os projetos editoriais. Jornais e revistas, um pouco por todo o mundo, lutam para conseguir vender exemplares suficientes para justificar os investimentos publicitários. Há muito que o preço de capa é insuficiente para pagar os ordenados e os meios de comunicação social dependem da sazonalidade da publicidade. E, neste momento, com a euforia do vídeo, precisam de investir mais para ter uma oferta multimedia.

 

A aposta feita na Internet, criando sites para divulgar o seu conteúdo, foi uma boa estratégia mas, como se sabe, ninguém paga para ver conteúdos online. Mesmo os jornais que optaram por “fechar” os conteúdos, criando contas premium, deram o ouro ao bandido.

 

Nunca é demais lembrar, ninguém quer pagar para ler conteúdo. Na verdade, há milhões que recusam pagar para ver filmes e séries e recorrem à pirataria. Há anos que a música que se ouve é “roubada”.

 

Apesar de haver esta consciencialização, ainda falta o despertar. Para se ter boas ideias é preciso estar bem alimentado e ter as contas pagas.

 

A Internet aproximou as pessoas do conteúdo mas também contribuiu para baixar a fasquia da qualidade. Nem tudo o que a Internet tem é credível ou tem qualidade. Um blog é um blog, um site de um jornal credível é outra coisa. Por isso, o nome e credibilidade de quem escreve deve ter um peso grande nesta equação.

 

Mas o que sucedeu nos últimos anos, porque se paga pouco para produzir conteúdo, é um constante descrédito dos media por recorrerem a mão de obra barata. Estagiários que, muitas vezes, publicam, como sendo informação credível, conteúdo divulgado pelos cidadãos. Sem edição. O jornalismo tem regras e elas têm de ser cumpridas. Mas isso tem um custo e os consumidores acham o preço demasiado alto.

 

A solução poderá estar do lado dos consumidores. Preferem pagar mais e comprar um produto de confiança ou pagar preço de saldo, ou nada, e consumir algo que não sabem bem qual o impacto na saúde?

 

Por mais teses que se possam redigir sobre “como ganhar dinheiro”, a fórmula é simples: tal como quando se vai ao supermercado e se compra um pacote de batatas, que pode custar mais ou menos, quando se produz conteúdo o objetivo é o mesmo. Quem produz quer ter lucro, quem consome, deve pagar.

Só desta forma se pode exigir qualidade e manter alta a fasquia dos conteúdos.

 

Será isto que vai ajudar a distinguir o trigo do joio. Porque ter milhões de page views num vídeo de gatinhos, ou de um vídeo de uma câmera de segurança com uma qualquer cena voyerista caricata, pouco, ou nada, contribui para a qualidade e cultura de um povo. É preciso deixar de valorizar uma boa política de divulgação em detrimento de bom conteúdo. Viral nem sempre, quase nunca, é sinónimo de qualidade!

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